sexta-feira, 29 de agosto de 2014

I Seminário sobre Autismo de Irati

Segunda agora foi realizado pela Secretaria de Educação de Irati, o I Seminário sobre autismo.
Por ser professora da rede e por ser mãe de autista, eu juro que achei que seria convidada.
Quando eu vi, as inscrições para "comunidade" já haviam encerrado. Eram 5 vagas.
Mandei um emailzinho bem maleducado explicando que eu queria participar e que eu achava que ia ser convidada, afinal, era a maior interessada.
Pois acabou que mandaram um email pra mim confirmando minha participação e fui.


O Seminário foi muito bem organizado. Pastinhas azuis, da cor do autismo. Descobri que mais pais além de mim mandaram esses emailzinhos maleducadinhos kkkk Eramos 4 pais lá, mas o pessoal do seminário foi descobrindo aos poucos.
Só a primeira professora iniciar sua fala (ótima por sinal) que eu já caí no choro. Foi uma mistura de sentimentos. Eu estava feliz em ver essa movimentação em prol dos autistas da cidade, mas triste, pq meu filho era um deles. Que que eu posso dizer, não posso ser hipócrita, eu não queria TER QUE estar lá e aí eu vi que se essa é minha luta e missão, eu vou fazer da melhor forma possível.

Pois bem, nessa fala da Miriam, uma professora perguntou como que as famílias aprendem a lidar com os autistas. Foi nessa hora que me manifestei. É uma boa pergunta né? No meu caso, eu aprendi na APAE com a psicologa e a professora Leila e com a Dra Mariane. Lendo e estudando e sendo. Acho que como qquer mãe, mas as dicas de ouro vieram delas.
O pai do Arthur tbem se manifestou e caiu no choro emocionado. Pronto! A partir daí o seminário tomou outro rumo, pq alí o sentimento entrou junto.
 A segunda fala foi mais dura. Foi uma doutora entendida das politicas publicas. Alí foi chato pq o discurso dela estava ensaiadinho com a da secretaria querendo dizer que não tem lei no MEC que diga que eles precisam ter prof de apoio. Que a primeira vez que eles tiveram no estado foi porque o "ministerio publico mandou" e aqui usando um tom de desprezo (eu mesma fui no ministerio publico sua dondoca ridícula) e que "os pais vem querer exigir pq é lei". SIM SENHORA ESTUDIOSA, TENHA UM FILHO COM OS DIREITO NÃO CUMPRIDOS E AÍ VENHA QUERER USAR ESSE TOM COMIGO, BESTA! 
Quase morri de ódio, mas engoli o sapo goela abaixo pq nao só eu me revoltei.

Depois do almoço eu levei a lei do autista, não é do MEC, mas é Federal. Mas o Paulinho, pai do Arthur, tbem levou e antes de começar a segunda parte já lascou-lhe a lei. A-D-O-R-E-I!

Depois teve uma mesa redonda MARAVILHOSA com psicologa, fono, diretora da Apae e a professora Leila e com a Dra Márcia. Alí me senti protegida, acolhida e defendida. Porque o Estado do Paraná não pode defender que os educandos tenham A MELHOR educação possível como a APAE faz? Sendo que os dois são órgãos do estado? Ah, já sei, APAE por história é uma associação de PAIS, e lá tem gente que tem AMOR e verdadeira PREOCUPAÇÃO em dar O MELHOR, não o que é possível, mas buscam o que tem de melhor. MORRI DE ORGULHO DA APAE DE IRATI.

Depois foram separados grupos para falar sobre o que esta bom e ruim em cada município e eu pude falar do meu. E ai pude colocar meu coração para todos.  O Paulinho e a Edina tbem o fizeram. Eis algumas falas:
PAULINHO
- Coloquem-se no nosso lugar. Se para voces é desafiador 4 horas com uma criança autista, nós convivemos com ela as outras 20 horas. E se fosse SEU filho, vc não ia querer o melhor? Só queremos o melhor.
EU (PRI)
- Apesar de todos os esforços da sec de educação, a inclusão do Eric esse ano não deu certo. Ele ficou meses sem entrar na sala de uma das professoras, ele só ficava no corredor. Hoje com a professora de apoio, pela primeira vez em 8 meses ele não entrou chorando na creche. (e aí já era, já tava chorando). Hoje ele entra sozinho, correndo, alegre, ansioso para encontrar a professora de apoio. A evolução da comunicação da fala avançou muito. Hoje ele me conta as coisas. VOCÊ SABE O QUE É SEU FILHO FINALMENTE TE CONTAR AS COISAS? Autistas não se comunicam. Então eu não vou concordar tão cedo com essa conversa de que autista não precisa de prof de apoio pq eu vi a diferença que fez na vida do meu filho. E já que estou aqui chorando, já queria agradecer a Leila e a Ana Lúcia, meus anjos que estão aqui e me ensinaram a ser mãe do Eric.
ÉDINA
- Queria dizer q entendo qdo deve assustar para uma prof receber um aluno autista. Eu mesmo como fonoaudiologa posso dizer que se eu recebesse um paciente com autismo teria dificuldade. Mas sabe, lutar por uma educação melhor para meu filho não é querer um privilégio. Professor de apoio não é um privilégio, não queremos que eles tenham privilégios. Antes não fosse necessário. 

No fim eram só choros e abraços e elogios!

O saldo do seminário foi super positivo. Foi realmente muito muito bom. Sec de Educação está de parabéns! 

E aí está a prova de que minha luta pela professora de apoio do Eric tem valido a pena, escrevendo o nome sozinho, animado e feliz em ir para a creche.


Claro que tem o trabalho da APAE que continua, ainda mais força nessas conquistas.

Tem muito mais que eu queria falar sobre o assunto, fica pra outro post!



7 comentários:

Ana Farias disse...

É isso aí Pri! tenho orgulho de você e da sua luta pelos autistas, pelo Eric! o pai celestial não podia ter escolhido uma mãe melhor para ele. Que fofo o Eric escrevendo o nome dele!
beijos se cuida!

patricia disse...

Sabe Pri, eu acredito sim na professora de apoio. Meu filho mais velho tem dispraxia, disgrafia e discalculia. E ele "só" conseguiu avançar na matemática( já que a dele seria até o 5º ano) por conta de professores de apoio que eu PAGUEI fora da escola, escola essa particular, diga-se por aqui a melhor da cidade e que no caso foi uma bosta, pois só descobrimos esses problemas dele no 9º. Ele já estava com 17 anos e só repetia em matemática, e perante a lei ele estaria dispensado das disciplinas de c´lculos. Fico muito sentida nisso pelo descaso com ele, professores sem o menor interesse, e rotulando ele como preguiçoso e a família como desinteressada. Eu apoio essa idéia sim, e toda criança com autismo, tdha, dislexia, discalculia e outras formas de aprendizagem que fogem ao "padrão" que o MEC rotula como "normal" devem ter seu professor de apoio. Lindo demais esse seu post, me senti revoltada com o discurso da "Dra" temos que botar a boca no mundo, eu voltei na escola onde meu filho estudou desde o maternal até o 9º ano e me fiz ser ouvida. Bjs flor

Keyty Rodrigues disse...

Pri, chorei lendo seu relato, e vi a força que uma mãe tem! Lindo Lindo Lindo! Parabens! Como assistente social em formação, brigo pelas minorias! Conte comigo e Vamos a luta! bjs

Nancy disse...

lindo Pri. O pior é saber que essa luta vai a vida toda. Essa semana tivemos uma reunião em nossa escola e, ver os pais espumando de raiva, me fez sentir uma raiva enorme desse sistema que faz lei mas não garante a execução. Eles tem direitos e devem ser garantidos. Acho que essa folha com o nome do Eric já é prova suficiente do porque ele precisa disso.

Raquel Pimentel disse...

Pri, fico muito feliz de ver esse sorriso fofo no rostinho do Eric e todo o seu progresso. Amo muito vocês. Que bom que ele tem uma mãe tão dedicada e valente como você!!! Te admiro muito

Ingrid disse...

Nossa, que tenso mas que bencaos tambem! Continue lutando minha aiga, por isso o Eric foi confiado a voce, pois o Senhor sabe que voce nao desistiria!

Audrey disse...

É lastimavel que o nosso povo seja movido por leis. As leis existem para o bem estar da sociedade, e não para ir contra ela. Nao ter lei significa nao ter bom senso? A gente vive pra cumprir a lei ou pra ser feliz? O povo acorda cedo pra trabalhar pra cumprir a lei? Lastimavel, porque trabalhar com o que gosta, ver o progresso do proximo, sentir o amor envolvido no processo e ainda ganhar por isso (mesmo ganhando muito menos do que se merece) é muito mais gratificante do que simplesmente cumprir uma lei. Nao somos robos, somos seres humanos. Ele tem necessidade, vamos suprir a necessidade, ao inves de deixa-lo esperando pra ver se tem lei que obrigue o ser a fazer isso. Revoltante. Revoltante perceber que tem gente que nao tem a menor sensibilidade pra perceber que tá lidando com gente - sentimentos, valores, futuro da nação - helooo?? Mas essa é a parte triste. A feliz é ver como a união faz a força. Entre os inumeros papeis que voces pais tem, esta tambem o de humanizar esses robozinhos que so se preocupam com lei. Parabens. Aplaudo voces de pé. E oro para que as coisas continuem se ajeitando. Assistir o progresso do nosso filho nao tem preço, uma sociedade sensata não precisaria de leis pra assegurar isso. Sucesso, vc é super, Pri!